COLUNA ESPAÇO ECOLÓGICO
ESPECIAL “Nossa Gente”
PAULO TEIXEIRA, AMIGO DA AMAZÔNIA: Deputado Federal Paulo Teixeira recebe do GREENPEACE o título de “Parlamentar amigo da Amazônia” e concede entrevista exclusiva ao jornal Folha de São Miguel”.
Colaboração: Carlos Prata
Entrevista com o Deputado Federal Paulo Teixeira:
Folha de São Miguel: Deputado Federal Paulo Teixeira, recentemente o senhor foi condecorado com o título de “Amigo da Amazônia” em razão da sua defesa do Código Florestal e defensor das causas da Amazônia no Congresso Nacional. Qual a importância dessa Condecoração para as causas Ambientalistas que você tanto defende?
Paulo Teixeira: A importância da condecoração é manter o diálogo com todos que desejam preservar o Bioma Amazônico e que não querem deixar aumentar o desmatamento. Não somos contra o aumento da área agricultável no país, porém temos dados que a agricultura e a pecuária que avançam sobre a floresta são de baixa produtividade. Assim, temos que melhorar a produtividade de parcela da agricultura brasileira, recuperar as áreas degradadas e usar o bioma amazônico de maneira racional, de tal forma que favoreça a pesquisa e a inovação para solucionar importantes problemas de saúde e também de descobertas industriais que favorecerão a entrada do Brasil numa economia do conhecimento.
FSM: Na sua opinião quais são as modificações do Código Florestal que são contrárias às causas Ambientalistas?
PT: Sou favorável a mudanças no código florestal para favorecer a lavoura do café, da maçã, e o melhor aproveitamento das áreas. Temos que fazê-lo com cuidado para não favorecer o desmatamento.
FSM: Em nossa região, na várzea do Rio Tietê, existe um conflito socioambiental, onde as necessidades sociais de moradia acarretam de certa forma problemas ambientais, em virtude da Área de Preservação Ambiental (APA). Como possibilitar condições de habitabilidade à população e manter a preservação da área?
PT: Creio que o governo estadual abandonou a área e ela acabou sendo o destino de milhares de famílias para resolver o problema da moradia. Minha visão é que o governo deverá, a partir de um estudo de cheias, fazer um novo perímetro da várzea que determine onde pode e onde não pode ter moradia. Para onde não puder, deve prover moradia digna em outro lugar para os atuais moradores.
FSM: Conte-nos um pouco da sua trajetória e relação com o bairro de São Miguel Paulista?
PT: Fui morar em São Miguel em janeiro de 1980. Era então estudante de Direito da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP). Foram duas as razão da minha mudança para São Miguel: uma opção religiosa de atuação nas Comunidades Eclesiais de Base, e outra opção política, de lutar pela justiça social e pela democracia, numa sociedade extremamente injusta e que vivia sob a ditadura militar. Iniciei minha militância na Sociedade de Amigos da Vila Mara, trabalhando com crianças e adolescentes. Minha primeira residência foi no Parque Paulistano.
FSM: Como era o trabalho nesta época?
PT: Nessa região naquela época não dispunha de infra-estrutura urbana de iluminação pública, esgotamento sanitário, creches e escolas. Nossa luta também foi na direção de buscar esses serviços e equipamentos para o bairro. Nesse momento surgiram as lutas dos trabalhadores do ABC e nos engajamos nos movimentos que se organizaram para apoiá-los. Fundamos mais tarde o PT (1980). Posteriormente, surgiu uma crise econômica que provocou muito desemprego e como consequência, muitos despejos. Organizamos o movimento de moradia no bairro. Ele teve uma projeção nacional (1984). Coordenei o esforço nacional para colocar um capítulo de política urbana na Constituição Federal. Colhemos 165 mil assinaturas para a emenda popular de reforma urbana na constituinte de 1988. Conseguimos introduzir um capítulo de política urbana, com os mecanismos de cumprimento da função social da propriedade e o usucapião urbano.
FSM: Quando o senhor ocupou pela primeira vez um cargo público?
PT: Fui Administrador Regional de São Miguel no governo Luiza Erundina (1991-1992). Pavimentamos inúmeras ruas, construímos galerias, creches, escolas, reformamos a praça central. Foi um tempo de intensa participação popular. Em 1994 fui eleito deputado estadual. Participamos da conquista do Hospital do Itaim Paulista (1998), da remoção dos atingidos pelas enchentes na Várzea do Tiete, da conquista da Escola Técnica do AE Carvalho, do Campus da USP na Zona Leste, da compra dos trens espanhóis para a Zona Leste e da mudança das estações de trem de Guaianazes. Em 2001, fui escolhido Secretário da Habitação de São Paulo. Pudemos fazer a urbanização do Jardim Maia e Noêmia, iniciar a urbanização de inúmeras favelas (Nossa Senhora Aparecida, Monte Taó), dar as escrituras nos conjuntos da Cohab (José de Anchieta, José Bonifácio, Juscelino Kubitschek). Em seguida, fui vereador, onde lutamos pela extensão da Jacu Pêssego até a trabalhadores (2005-2006).
FSM: O que o senhor tem feito pela região na Câmara dos Deputados?
PT: Como deputado federal, estamos envolvidos nas seguintes lutas: por uma Universidade Pública Federal na Zona Leste, uma escola técnica federal, a reforma do mercado, a reforma de igreja dos indios, compra de equipamentos para o Hospital Tide Setúbal e recursos para o Hospital Santa Marcelina e ajuda para o Centro Social Dom Bosco, para a ACEDEM - entidade de assistência a portadores de deficiência física -, e ao Lar Vicentino de proteção ao idoso (2007 a 2010).
FSM: Deputado, pode mandar uma mensagem para a grande população do bairro de São Miguel Paulista?
PT: Eu tenho uma enorme gratidão ao povo de São Miguel, que ajudou na minha formação como ser humano e que me formou politicamente. Foi no bairro que me casei com a Alice Mieko Yamaguchi e criei meus seis filhos: Pedro, Ana, Caio, Laís, Manoela e Julia. Do povo de São Miguel, como dizia o poeta, "ganhei régua e compasso". Espero sempre estar a altura do desafio que me confiaram.